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24 de maio de 2019

Presidente da Coocam participou de reunião com o Governo do Estado de SC

Para sanar o déficit do milho na alimentação animal, o setor do agronegócio quer incluir o trigo, a aveia, triticale e a cevada na alimentação de suínos e aves. As tratativas – envolvendo a participação direta dos setores da agricultura, agroindústria e o governo, assim como as entidades, tais como, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro) – iniciaram há mais de dois anos, por meio de reuniões e fóruns com discussões de possíveis alternativas para sanar o problema da cadeia produtiva catarinense.

O assunto voltou em pauta na última semana (16/05), durante reunião em Florianópolis, com o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouvêa e representantes dos setores envolvidos. O presidente da Coocam, João Carlos Di Domenico, participou da reunião e na oportunidade representou o setor agropecuário, por meio da Fecoagro, onde ocupa o cargo de vice-presidente. Ele participa dos ajustes do projeto – desde o início das discussões, em meados de 2017 – acompanhando e colaborando na busca de soluções viáveis aos setores do agronegócio e da agroindústria. 

“Para viabilizar essa problemática da escassez de matéria prima para alimentos animais, três áreas são essenciais e precisam estar integradas. 1ª – O produtor e suas cooperativas, criando programas e fomentando à produção. 2ª – O governo do estado criando situações econômicas para viabilizar os projetos, especialmente o financiamento das lavouras, via seguro ou subsídios para ajustar os valores. 3ª – O interesse das agroindústrias pelo processo, pois, a cadeia produtiva precisa do consumidor final”, descreve João Carlos Di Domenico.

Sobre o setor agrícola, ele ressalta que os produtores e cooperativas devem unir forças para buscar apoio do governo do estado para assim, encontrar saídas e dessa maneira aumentar a produção dos cereais de inverno. “Santa Catarina tem em torno de 300 mil hectares de terras ociosas no inverno que poderiam ser usadas para o cultivo de cereais para alimentação animal, ajudando amenizar a situação da falta do milho. O que nós produtores precisamos? De uma alternativa lucrativa para o inverno”, compartilha. Por falta de incentivos fiscais e custos elevados para produzir uma safra de inverno, em menos de 05 anos, o plantio de cereais diminuiu significativamente. “Citando só o exemplo da Coocam; há 5, 6 anos recebia em torno de 800 mil sacas de trigo e hoje tem previsão para receber 150, 200 mil sacas de trigo”, compartilha João Carlos.

O uso de cereais de inverno para alimentação animal não é novidade, essa já é uma prática comum em outros países e que pode ser aplicada também por aqui. Embora no Brasil não existam cultivares desenvolvidas especificamente para produção de ração, os agricultores poderão utilizar algumas sementes já disponibilizadas pela Embrapa. “Os cultivares que não têm um perfil tão estável para a panificação podem ser utilizados na ração sem problema nenhum. Inclusive com uma boa produtividade por hectare. Além disso, outros cereais como cevada, aveia e triticale também são alternativas que podem compor a ração animal”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo, Eduardo Caierao.

 

O que diz o governo de SC

“Santa Catarina tem um déficit de 4 milhões de toneladas de milho por ano, que são importados de outros estados e países. Acreditamos que a produção de outros cereais para complementar a ração animal pode ser um passo importante para garantir a competitividade do agronegócio catarinense a longo prazo. Além de trazer uma alternativa de renda para os produtores rurais de Santa Catarina, que poderão aproveitar as lavouras também no período de inverno” ressalta o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouvêa.

A intenção do governo do estado é dar condições para que os produtores rurais ocupem suas lavouras no inverno para a plantação desses cereais, que traz mais uma alternativa de renda, dilui os custos do produtor e não interfere na safra de verão. “O trigo pode ser utilizado como um ingrediente normal nas rações. Para viabilizar a produção em Santa Catarina devemos pensar em um fator fundamental: o custo dos cereais deve ser competitivo tanto para os produtores quanto para as agroindústrias. Toda cadeia produtiva deve estar comprometida para que o projeto tenha sucesso”, afirma Gouvêa.

O secretário lembra ainda que o incentivo para produção de cereais de inverno vem complementar as outras ações desenvolvidas pelo Estado para aumentar o fornecimento de insumos. Santa Catarina trabalha para viabilizar a Rota do Milho, trazendo o grão do Paraguai diretamente para o Oeste, além de executar o Programa Terra-Boa, que apoia a produção de milho de alta qualidade.

 

Milho em Santa Catarina

O milho é fundamental para abastecer as cadeias produtivas de proteína animal instaladas em Santa Catarina. O Estado é o maior produtor nacional de suínos, segundo maior produtor de aves e se destaca também na produção de leite. Isso levou o agronegócio catarinense a um consumo de 7 milhões de toneladas de milho por ano, por outro lado, com uma produção média de 3 milhões de toneladas.

 

Com informações: Comunicação Gov. de SC /  Comunicação Coocam