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12 de maio de 2020

Produtor da Coocam contabiliza perdas em suas lavouras de milho e soja

O problema climático desta safra acarretara prejuízos para o setor do agronegócio

Adenilson Palavro, 52 anos, produtor rural e cliente da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam) há quase 15 anos. Ele conta que desde criança esteve envolvido na agricultura, já que se criou no interior e ajudava seus pais na lida do campo. Casado com Simone, o casal tem dois filhos, o engenheiro civil Igor e o estudante e colaborador do pai nas horas vagas, Iago. Embora a esposa tenha uma loja de vestuário na cidade, a principal renda para o sustento da família, vem da agricultura uma atividade que neste ano lhe traz grandes prejuízos, mas, apesar das condições climáticas desfavoráveis, o produtor rural não desanima e segue em frente.

Palavro conta sua experiência e as perdas nesta safra de verão 2019/2020, compartilhando nunca ter presenciado um momento o qual tal está vivendo. “Já tivemos safras com pouco retorno, mas como estamos vivendo neste ano é a primeira vez”, diz. Com uma pequena propriedade entre os municípios de Abdon Batista e Anita Garibaldi, ele é um dos inúmeros produtores que vivenciou um ano atípico, comparando aos últimos cinco anos, onde as lavouras tiveram altas produtividades e um dos fatores positivo foi o clima, com chuvas nas horas certas.

Com uma área total de 104 hectares de grãos, sendo 80% soja e 20% milho, Palavro conta que a estimativa inicial era colher 65 sacas/ha de soja e 200 sacas/ha de milho. O produtor já chegou a colher mais de 80 sacas/ha de soja, com médias anteriores de até 65 sacas/ha. Nesta safra, o milho não atingiu um metro de altura com enchimento dos grãos extremamente prejudicado. Infelizmente as condições climáticas não colaboraram para os bons resultados nas lavouras deste ano.

Na época de plantio houve chuva em excesso, dificultando o estabelecimento das culturas. Logo em seguida começou o período de estiagem e as plantas não se desenvolveram. O volume de chuva muito abaixo da média causou a maior perda da história do produtor. “O resultado em nossa lavoura foi de 24 sacas de soja por hectare e, se fôssemos colher o milho, não chegaria a 400 quilos por hectare”, diz Palavro, completando que não vale a pena colher a área de milho, já que seria perda de tempo e mais gastos com equipamentos e combustível. “O prejuízo para colhermos esse milho seria enorme”. Para tentar amenizar parte do problema financeiro, o produtor vai comercializar seu rebanho de gado.

Suporte

Adenilson comenta que o problema em suas lavouras de soja e milho, nesta safra 2019/2020, está 100% relacionado com as condições climáticas. Segundo ele, foram realizados todos os procedimentos necessários para ambas às culturas se desenvolverem bem. “Infelizmente enfrentamos um problema que não está em nossas mãos”. A cerca de 15 anos Adenilson Palavro trabalha com a Coocam. Ele faz questão de reforçar o quanto é importante o suporte oferecido pela cooperativa. “Eu sempre fui muito bem atendido pelos profissionais da Coocam. Desde que comecei a lidar com lavouras de soja, compro insumos e entrego toda minha produção lá na Coocam. Estou satisfeito com todo o suporte técnico”. Sobre os desafios no agronegócio, Palavro é sempre muito otimista. “O nosso ramo de atividade é essa, lavoura e gado, então precisamos continuar, precisamos erguer a cabeça e seguir em frente”.

Paulo Graeff Junior é o engenheiro agrônomo da Coocam que atende o produtor Adenilson Palavro. O técnico é também responsável pelo atendimento de pequenos produtores das regiões de Anita Garibaldi, Abdon Batista, Celso Ramos e São José do Cerrito. Paulo Graeff cita a importância de a cooperativa estar ao lado desses produtores, que em sua maioria dependem de uma assistência técnica, voltada a realidade de suas propriedades, muitas vezes com diversidade de culturas, condições pouco mais difíceis de produção e carentes de informação. “Nosso trabalho é ajudar nossos clientes, para obterem os melhores resultados em suas lavouras. Precisamos estar ao seu lado nos momentos bons e principalmente nos momentos ruins, como foi esse ano, onde tivemos grandes prejuízos nas lavouras, na maioria dos produtores que prestamos assistência”, observa o agrônomo da Coocam.

Garantias

As perdas no campo se estendem para outros setores da economia, especialmente aqueles relacionados diretamente com as lavouras. Para o presidente da Coocam, João Carlos Di Domenico, é preciso políticas agrícolas que auxiliem melhor o homem do campo, ou seja, mais segurança aos produtores rurais. João Carlos mencionou como exemplo, um seguro rural com garantia da média de produção dos últimos anos. “Essa seria uma maneira de incentivar para que o homem do campo continue plantando”, disse Di Domenico. Os produtores rurais são profissionais que trabalham em suas empresas a céu aberto e a cada safra é um novo desafio.