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24 de agosto de 2020

Estiagem reduziu produção, mas preço equilibrou resultado

A estiagem prolongada que afetou Santa Catarina reduziu a produção agrícola da safra de verão 2019/2020 e em Campos Novos não foi diferente. De acordo com os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção dos principais produtos da safra — soja, milho e feijão, tiveram uma produtividade 14,67% menor com relação a safra anterior.

Os produtores de Campos Novos cultivaram as mesmas áreas do ano passado — feijão em 3 mil hectares, milho ocupando 14 mil hectares e 55,5 mil hectares de soja. A produtividade das lavouras, no entanto foi menor — 383,104 mil toneladas contra as 448,980 mil toneladas da safra 2018/2019. O plantio das culturas do milho, soja e feijão iniciou em meados de setembro de 2019 e a colheita foi finalizada no fim de abril de 2020.

Se as condições climáticas não foram favoráveis, os bons preços praticados no mercado, não comprometeram os resultados econômicos, avalia Riscala Miguel Fadel Júnior, vice-presidente da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam). “Teve regiões com produtividade de milho muito boa, mas a soja e o feijão sofreram as maiores perdas. Porém, o produtor foi recompensado com os preços de comercialização devido a alta do dólar, moeda onde as commodities agrícolas são cotadas. Assim o produtor não teve tantos prejuízos em decorrência da quebra de safra”, explicou.

Soja

A soja, principal commoditie agrícola produzida em Campos Novos alcançou produtividade média de 3.240 quilos por hectare (Kg/ha) ou 54 sacas por hectare. A produção total foi de 179,820 mil toneladas ou 2,9 milhões de sacas de 60 quilos. A safra foi 20,57% menor que no ano passado, quando foram colhidas 226,400 mil toneladas ou 3,7 milhões de sacas. Com condições climáticas normais, no ano passado, a produtividade da soja alcançou 4.100 Kg/ha. A área total de soja em Campos Novos soma 55 mil hectares.

“Os preços foram muitos bons, se comparar os preços da safra passada para a safra de verão desse ano, teve um incremento de R$ 20 a R$ 30 por saca, isso representa muito ao produtor. Embora a soja esteja com preço baixo no mercado internacional, para os produtores brasileiros acaba compensando pela conversão da moeda”, explicou o vice-presidente da Coocam.

Milho

Dos 14 mil hectares plantados com milho, 1,3 mil tem destino a silagem para nutrição animal. O milho comercial teve uma produção de 138,684 mil toneladas ou 2,3 milhões de sacas, uma redução de 4,21% com relação a safra anterior. Em 2018/2019, os produtores tiveram uma produtividade de 144,780 mil toneladas ou 2,4 milhões de sacas. O milho para silagem teve uma redução de produtividade em 16,36%. Foram colhidas 59,8 mil toneladas contra 71,5 mil toneladas da safra anterior. A produtividade alcançou 10.920 Kg/ha (182 sacas por hectare) do milho para comercialização e 46.000 Kg/ha (777 sacas por hectare) do milho silagem.

Riscala destacou a demanda de milho na agroindústria sulista, o que ocasiona bons preços na região. “O milho sofreu menos com a seca, porque foi plantado mais cedo na região. Como na região Centro-oeste teve uma ótima colheita do milho safrinha e como fica difícil trazer para o Sul por conta de uma logística cara, esse milho é destinado para a exportação, o que acaba faltando no mercado interno, ocasionando aumento de preço especialmente nos estados do Sul, porque aqui estão concentrados os grandes frigoríficos, que são os grandes consumidores desse produto. Então o produtor local está tendo bons preços de comercialização”, destaca.

Feijão

As lavouras de feijão tiveram a maior quebra de produção, 23,8% menor com relação ao ano passado. Enquanto na safra 2018/2019 a produtividade média foi de 105 mil sacas, neste ano, a colheita foi de 80 mil sacas. A área plantada de feijão soma 3 mil hectares e foram colhidas neste ano 4,8 mil toneladas. A produtividade média por hectare foi de 1.600 Kg/ha (27 sacas por hectare) enquanto em 2019, 2.100 Kg/ha (35 sacas por hectare).

Com preços mais baixos que soja, o feijão vem perdendo áreas na região de Campos Novos, observou. “O feijão sofre com a concorrência da soja, quando a soja sobe, o feijão precisa acompanhar, o que não aconteceu nesta safra. O feijão é plantado em áreas irrigadas e tem oferta o ano todo em outras regiões, o que não é o caso dos produtores do Sul, que precisam optar por plantar soja ou feijão. Em outros estados, eles plantam feijão e em seguida soja; aqui o produtor acaba optando por plantar soja com preços melhores. É isso que está ocorrendo na região, áreas de feijão decresceram muito nos últimos anos em detrimento da soja”, explicou.

 

Fonte: Folha Independente