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Carrapicho na soja é um risco real que pode condenar a produção

Carrapicho na soja é um risco real que pode condenar a produção

03-02-2026

Departamento Técnico da Coocam alerta para manejo e controle da espécie infestante, com atenção máxima antes da colheita

A presença de carrapicho nas lavouras de soja deixou de ser um problema pontual para se tornar uma ameaça concreta à comercialização do grão. Segundo o gerente do Departamento Técnico da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam), Silvio Zanon, a equipe do departamento técnico acompanha, safra após safra, o aumento no número de cargas contaminadas. “Todo ano temos problemas e esse problema não é pontual da Coocam. Portanto, é importante lembrar que o impacto não é apenas produtivo, mas também atinge o bolso do produtor e a credibilidade do produto no mercado”, alerta. Na prática, esse cenário pode deixar o sojicultor sem destino para a produção, gerando prejuízos imediatos e significativos.

O carrapicho é uma espécie infestante proibida por legislação. Nesses casos, as cooperativas estão legalmente impedidas de receber grãos contaminados, assim como indústrias e portos, o que resulta na rejeição imediata da carga. “Se essa soja com presença de carrapicho chega ao porto ou à indústria, a carga é devolvida. Ou seja, não podemos receber e esse grão fica sem mercado”, explica Silvio Zanon.

Além do bloqueio comercial, o carrapicho representa um risco à saúde animal e humana. Quando a soja contaminada é processada para óleo, farelo ou ração, a moagem conjunta com sementes da espécie pode causar danos nutricionais, toxicológicos e sanitários. “Já foi identificado que, se o carrapicho for moído junto, ele traz prejuízos tanto para a saúde humana quanto para a saúde animal. O carrapicho é uma planta tóxica.”, enfatiza o gerente técnico.

Os prejuízos, no entanto, começam ainda no campo. O agrônomo da Coocam lembra que a planta infestante compete diretamente com a soja por água, luz e nutrientes, reduzindo produtividade e rendimento. “Onde a infestação é maior, a perda é inevitável. Ou seja, quem ignora o problema perde duas vezes: na lavoura e na comercialização. Por isso, a tolerância é zero. Não pode ter carrapicho no grão”, reforça.

Manejo antecipado é a única forma de evitar perdas

A Coocam reforça que o manejo precisa ser antecipado e estratégico. O primeiro passo é o monitoramento constante da lavoura, especialmente em bordaduras, áreas úmidas, beiras de contenção e locais com histórico da infestação. Havendo ocorrência, o controle pode ser mecânico, em situações pontuais, ou químico, com uso de herbicidas adequados. “O controle químico com glifosato apresenta bons resultados e custo acessível, mas precisa ser feito no momento certo”, orienta o agrônomo.

O alerta mais importante é claro e direto. Controlar carrapicho apenas na dessecação da soja é tarde demais. “Se a semente do carrapicho já está formada, ele vai contaminar a soja da mesma forma. O controle precisa ser antecipado”, enfatiza Silvio Zanon. Diante do elevado número de registros de contaminação na última safra, a Coocam intensifica esta campanha porque o risco é coletivo. Quem não realizar o manejo corretamente pode ficar sem mercado.

Legislação é rígida e não permite exceções

No Brasil, existe uma regulamentação específica sobre sementes proibidas, que inclui diversas espécies infestantes cuja presença em cargas agrícolas é vedada. A legislação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabelece critérios rigorosos para a produção, comercialização e transporte de sementes e grãos. A Instrução Normativa nº 46/2013 lista espécies cujas sementes não podem estar presentes em grandes culturas, justamente para evitar riscos sanitários, ambientais e comerciais. Nesse contexto, o carrapicho é classificado como uma espécie que deve ser rigorosamente evitada, reforçando que não se trata de uma regra da Coocam, mas de uma obrigação legal válida para todo o setor.