notícias

Coocam atinge 90% da colheita da soja com resultados positivos
27-04-2026Entre períodos de chuva intensa e estiagem prolongada, safra 2025/26 mantém desempenho consistente, com produtividade alinhada à média nacional e colheita próxima da conclusão.
Na Cooperativa Agropecuária Camponovense, a safra 2025/26 se encaminha para o encerramento com um cenário de equilíbrio entre desafios e resultados positivos. Com mais de 90% da soja colhida até o final deste mês de abril e o milho praticamente finalizado, a cooperativa avalia o ciclo como produtivo, especialmente diante das condições climáticas adversas registradas ao longo do período.
O início da safra foi marcado por chuvas acima da média entre os meses de setembro e novembro, fase essencial para o plantio. Mesmo com excesso hídrico em alguns momentos, os produtores conseguiram implantar as culturas dentro da janela ideal. “Conseguimos plantar o milho e a soja dentro da época que esperávamos, mesmo com períodos de chuva acima do normal”, destaca o gerente do departamento técnico da Coocam, Silvio Zanon.
Na sequência, o cenário climático mudou drasticamente. Entre janeiro e março, períodos prolongados de estiagem impactaram diretamente o desenvolvimento das lavouras. Em algumas regiões atendidas pela cooperativa, foram registrados até 60 dias com apenas 40 milímetros de chuva. “Isso afetou principalmente a soja na fase de floração, que exige maior volume de água para a formação de grãos”, explica Zanon.
Apesar das adversidades, a produtividade alcançada pela Coocam manteve-se competitiva. A média do milho atingiu cerca de 180 sacas por hectare, enquanto a soja ficou entre 60 e 62 sacas por hectare. “Quando analisamos o cenário climático enfrentado, são números positivos e dentro da média nacional”, avalia o gerente.
Esse desempenho acompanha o cenário brasileiro. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a safra de grãos 2025/26 deve alcançar patamares recordes, com produção superior a 350 milhões de toneladas. A soja, principal cultura do país, deve ultrapassar 170 milhões de toneladas, com produtividade média nacional próxima de 55 a 60 sacas por hectare, faixa semelhante à registrada pela cooperativa.
Mesmo com bons volumes de produção, o fator econômico segue como ponto de atenção. O custo de implantação das lavouras permanece elevado, influenciado por variáveis globais, como fertilizantes, combustíveis e insumos agrícolas. Em contrapartida, os preços pagos pelos grãos não acompanharam esse aumento. “Hoje, o custo está alto e o preço abaixo do esperado. Para melhorar a rentabilidade, precisaríamos de uma valorização maior da produção”, afirma Zanon.
Diante desse cenário, o planejamento estratégico tem sido determinante. A cooperativa reforça a importância da organização antecipada das atividades no campo, desde o preparo do solo até a comercialização. “O produtor que se planeja consegue diluir custos, organizar compras e reduzir riscos. Isso faz toda a diferença no resultado final”, ressalta.
Com o ciclo atual em fase final, a Coocam já direciona esforços para a próxima safra. A comercialização de insumos, sementes e o planejamento do plantio de culturas de inverno, como o trigo, estão em andamento. A expectativa para o próximo ciclo é influenciada pela possível atuação do fenômeno El Niño, que tende a trazer maior volume de chuvas e temperaturas mais elevadas. “Um ano com mais chuva pode trazer uma expectativa de safra melhor, mas também aumenta os desafios com pragas, doenças e manejo. Por isso, o planejamento continua sendo essencial”, conclui Silvio Zanon.
